
“Com todo o respeito ao meu querido Chico Buarque, uma agregação a essa música tão perfeita.”
Tem dias que a gente se sente
(isso quando realmente sentimos algo, quando os sentidos estão acordados)
Como quem partiu ou morreu
(prefiro ir, partir morrendo sabendo que algo melhor me espera)
A gente estancou de repente
(sabendo que o que está estancado é o sangue latente dos pulsos)
Ou foi o mundo então que cresceu
(cortados pelo medo da “selva” mundo que cresceu)
A gente quer ter voz ativa
(mesmo que falemos alto, mesmo que esbravejemos)
No nosso destino mandar
(alguém maior vai impor o destino, o caminho a se trilhar)
Mas eis que chega a roda-viva
(mas e o livre-arbítrio consome o corpo todo e os atos)
E carrega o destino pra lá
(escolhemos caminhos errados, passamos por atalhos ou caminhos mais longos, mas caímos na mesma porta)
Roda mundo, roda-gigante
(sou mais um joguete nas mãos do universo)
Roda-moinho, roda pião
(mais uma peça num jogo errado)
O tempo rodou num instante
(mais um menino mal visto)
Nas voltas do meu coração
(mais um coração dilacerado)
A gente vai contra a corrente
(queremos impor nossas idéias, opiniões, explanar palestras)
Até não poder resistir
(cansar a garganta de tanto falar as mesmas, mesmas idéias)
Na volta do barco é que sente
(sentir que talvez seja pouco, o que quer dizer, o que sentir)
O quanto deixou de cumprir
(frustrar-se, descobrir que é pouco, o que o universo diz de si)
Faz tempo que a gente cultiva
(mas nem ligar para o que um dia eu disse errado)
A mais linda roseira que há
(só em saber que você concorda e discorda ao meu lado)
Mas eis que chega a roda-viva
(tendo consciência de que um dia tu vais)
E carrega a roseira pra lá
(e leva junto meu coração [piegas])
A roda da saia, a mulata
(6 horas e quarenta)
Não quer mais rodar, não senhor
(desperto o olhar, eu acordo)
Não posso fazer serenata
(olhares trocados, a hora)
A roda de samba acabou
(de olhar meu futuro, senhor)
A gente toma a iniciativa
(ou deixa o destino guiar)
Viola na rua, a cantar
(e qual será o resultado)
Mas eis que chega a roda-viva
(dessa incessante troca de olhares)
E carrega a viola pra lá
(e deixo o deixar fluir no ar)
O samba, a viola, a roseira
(eu quero você, talvez amor)
Um dia a fogueira queimou
(por um dia, dois, o que for)
Foi tudo ilusão passageira
(mas que seja ilusão)
Que a brisa primeira levou
(foi o desejo que levou)
No peito a saudade cativa
(e deixe levar mais mil horas)
Faz força pro tempo parar
(ou o tempo que o gosto do beijo guiar)
Mas eis que chega a roda-viva
(eu quero mesmo é parar a vida)
E carrega a saudade pra lá
(olhar nos seus olhos e chorar)
...
VERSÃO END